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    Educação Superior


    Em nota, Adua diz que aulas da Ufam não retornarão à normalidade

    As aulas presenciais na instituição estavam suspensas em razão da pandemia da covid-19.

     

    As aulas presenciais na instituição estavam suspensas em razão da pandemia da covid-19.
    As aulas presenciais na instituição estavam suspensas em razão da pandemia da covid-19. | Foto: Divulgação

    MANAUS (AM) - A Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua) emitiu nota pública, nesta segunda-feira (9) sobre o retorno remoto das atividades acadêmicas na Ufam, que devem ocorrer na próxima terça-feira (10). As aulas presenciais na instituição estavam suspensas, devido à pandemia do novo coronavírus. Conforme documento, a Adua ressalta que não voltará à normalidade, que nunca houve, mesmo antes da epidemia do coronavírus.

    “Continuamos em ritmo de barbárie e sob Estado de Exceção. Nenhuma vida a menos! Nenhum direito a menos! Nem um passo atrás! Cada colega servidor(a), docente e técnico(a)-administrativo(a), discente e funcionário(a) terceirizado(a) da Ufam que sofreu a perda de um familiar, parente ou colega, terá em nós a solidariedade classista e humana. Não nos calarão!”, afirma a entidade em trecho da nota.

    Confira a nota na íntegra:

    NOSSOS INIMIGOS DIZEM

    Bertolt Brecht (1898-1956)

    Nossos inimigos dizem: A luta terminou

    Mas nós dizemos: ela apenas começou

    Nossos inimigos dizem: A verdade está liquidada

    Mas nós dizemos: Nós a sabemos ainda

    Nossos inimigos dizem: Mesmo que ainda se conheça a verdade

    Ela não pode mais ser divulgada

    Mas nós a divulgamos

    É a véspera da batalha

    É a preparação de nossos quadros

    É o estudo do plano de luta

    É o dia antes da queda

    De nossos inimigos

    Neste dia 10 de agosto de 2021, a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) retoma, ainda de forma remota, as atividades do calendário acadêmico do semestre de 2020/02, suspenso por força da pandemia de covid-19, cujas consequências no Brasil e no Amazonas foram agravadas pela política da morte promovida pelas instâncias de governo nos níveis federal, estadual e municipal. O Estado brasileiro consorciou-se ao poder devastador do vírus. Para quem resistiu e continua na resistência ao arbítrio e ao desmonte de direitos, nenhuma morte é número. Para nós, cada vida perdida tem nome. E continuaremos a falar por eles e por elas. Pelas vidas que nos foram subtraídas.

    Não voltamos à normalidade que nunca houve, mesmo antes da pandemia. Continuamos em ritmo de barbárie e sob Estado de Exceção.

    Nenhuma vida a menos! Nenhum direito a menos! Nem um passo atrás! Cada colega servidor(a), docente e técnico(a)-administrativo(a), discente e funcionário(a) terceirizado(a) da UFAM que sofreu a perda de um familiar, parente ou colega, terá em nós, da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (ADUA – Seção Sindical do ANDES-SN), a solidariedade classista e humana. Não nos calarão!

    Onde estão as instituições da República? Seguirão omissas diante das seguidas agressões ao Estado Democrático de Direito? Terá a ordem do crime e da destruição adquirido estatuto de lei e tornado letra morta a chamada Constituição Cidadã de 1988? Configura crime gritar pelo direito à vida nela formalmente ainda garantido? A UFAM, como instituição federal e pública de ensino, deve ser para cada docente um espaço de afirmação e de defesa dos direitos coletivos, notadamente do sagrado direito à educação.

    Neste 2021, no centenário de nascimento de Paulo Freire, e aos 50 anos da morte (em circunstâncias nunca explicadas) de Anísio Teixeira, é um dever de cidadania educativa trazer à memória coletiva a vida e a práxis desses dois grandes educadores.

    Não podemos permitir nem o esquecimento fabricado nem os ultrajes da ignorância arrogante sobre a trajetória intelectual de Paulo Freire e Anísio Teixeira, dois brasileiros que imprimiram em suas vidas a defesa do direito das classes oprimidas à educação, da educação pública como direito e jamais como privilégio.

    Somente a luta muda a vida. Somente a grande luta muda a história. Em defesa da vida socialmente vulnerabilizada; em defesa da classe que vive do trabalho e produz riqueza; em defesa dos(as) empobrecidos(as), dos povos indígenas, da população negra, das mulheres vítimas do machismo e do feminicídio, da população de rua, da população carcerária, dos (as) subempregados (as), dos (as) milhões de brasileiros(as) que sobrevivem da informalidade. Em defesa dos direitos e das garantias fundamentais formalmente constitucionalizadas!

    Diretoria da ADUA – Seção Sindical do ANDES-SN

    Biênio 2020-2022

    Manaus (AM), 09 de agosto de 2021