Fonte: OpenWeather

    Covid-19


    Crise de oxigênio chega em São Paulo e causa três mortes

    No total, dez pacientes precisaram ser transferidos às pressas para outros hospitais, oficialmente como medida preventiva

     

    Faltou oxigênio na unidade por pelo menos 30 minutos
    Faltou oxigênio na unidade por pelo menos 30 minutos | Foto: divulgação

    SÃO PAULO - Funcionários da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo, afirmam que faltou oxigênio na unidade por pelo menos 30 minutos, na noite de sexta-feira (19). Isso levou à morte três pacientes internados com Covid-19, afirmaram profissionais de saúde da unidade.

    Segundo eles, a falta de oxigênio levou à morte de um paciente que estava na emergência, outra na observação e um terceiro enquanto era transferido para outra unidade.

    No total, dez pacientes precisaram ser transferidos às pressas para outros hospitais, oficialmente como medida preventiva. 

    O secretário municipal da Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, afirmou em entrevista à TV Globo no sábado (20) que, como a fornecedora White Martins não conseguia fazer a entrega de oxigênio a tempo, os profissionais da UPA decidiram pela transferência dos pacientes.

    "O problema não é o oxigênio; é o esgotamento logístico da entrega do produto que está causando a demora. Numa UPA como essa nós enchíamos o tambor de oxigênio uma vez por semana; agora, chega a três vezes por dia e não está dando conta. Nós conseguimos avaliar o caso e tomar a decisão adequada e rápida para a transferência dos pacientes", declarou Aparecido.

    Servidores dizem que o temor dos funcionários pela falta do oxigênio começou perto de 17h45, porque o estoque estava chegando ao fim. Às 20h15, foi dado um alerta aos médicos para economizarem o produto, pois o caminhão da White Martins ainda não havia chegado com nova carga.

    Logo em seguida, começaram os procedimentos de transferência. Às 20h40, o oxigênio acabou, e um caminhão com suprimento da White Martins só chegou às 21h12.

    Neste meio tempo, médicos e enfermeiros tiveram de recorrer a um equipamento de ventilação manual conhecido como Ambu (da sigla em inglês Artificial Manual Breathing Unit).

    Eles realizaram um procedimento conhecido informalmente como "ambuzar" os pacientes, ou seja, usar manualmente o equipamento, que lembra um fole.

    Leia mais:

    São Paulo registra falta de oxigênio em UPA pela primeira vez

    ‘Quando avisaram que o oxigênio ia acabar, o silêncio reinou na UTI’

    Prefeitura alerta para tentativa de golpe em programa de habitação